6 de março de 2009

de tudo que me dá TESÃO

Hoje uma amiga da Faculdade me disse:
- Mauro, você mudou... Tá com cara de mais velho... maduro.
Ah! Que pena! Queria ter dito:
- É excitação! - mas eu não queria explicar. Deixei somente essa tal maturidade me definir.

Tô mudado. Respirando ares diferentes do que sempre respirei. Saí da defensiva e resolvi encarar de frente o que me propuseram.

Lembro-me perfeitamente de, quando assisti o filme Cazuza, ter travado diversas discussões acerca das ousadias desse cara que abrilhantou ainda mais a música brasileira. O que me comoveu não foi a belíssima atuação de Daniel de Oliveira, nem as canções do Barão, nem o amor de sua mãe Lucinha Araújo. O que me bateu fundo foi a postura desse cara perante a vida. Cazuza viveu-a intensamente.

Não quero viver como ele. Até porque meu pai não é dono de uma gravadora (e nem pai tenho!), minha mãe não é de uma família abastada e não ganho mesadas faraônicas. Mas quero uma pitada dessa loucura que fez Cazuza, mesmo morrendo precocemente, uma figura realizada e intensa.

Essas férias, esses últimos meses me disseram muito. Tornei-me atento ao que tanto exercitei. Tornei-me silencioso às respostas que vinham de dentro. E percebo, mais do que nunca, que cada coisa tem seu tempo, cada pergunta tem seu momento para ser respondida. Calma, paciência e atenção, são os primeiros passos para a satisfação. Estou satisfeito!

Me sinto mais livre, mais verdadeiro, mais capaz. Capaz de amar meus amigos (não são muitos, mas são exatamente os que preciso e desejo), minha namorada e amar minha filha. E Maria Júlia é uma página à parte nessa história. Com três anos, descubro, que sei amar do meu jeito. Amo minha filha da forma que sinto necessária e gostosa. Amo minha namorada com mais coração, mais entrega e mais certezas. Não quero ter as certezas do véu e grinalda, mas a do sorriso constante e do olhar sempre brilhando. Amo meus amigos, porque entendo neles meu porto.

Demorei. Demorei muito para chegar em concepções como estas. Enquanto isso tudo ia se cristalizando em mim, engordei 10 kilos, li mais de 12 livros, assisti mais de 20 filmes e gastei muita grana. A ansiedade era de ver concretizado um novo ideal, novas idéias.

É... Eu tô mudado.

Tô sereno. Não a serenidade dos velhos que já fizeram tudo. Tenho em mim a serenidade dos que encontram o X. Percebi onde quero chegar e crio metas mais sofisticadas a cada dia que passa. Tenho um foco. Não preciso mais me armar, pois tenho a leveza dos que não entram em zonas de perigo. Prefiro a distância aos disparos desenfreados.

Tô seguro. Enchendo minha vida de prazer, felicidades. Agora, minha vida tem gosto, tem sal, pimenta, alho, hortelã. De tudo que me dá tesão.